sábado, 28 de fevereiro de 2009

Adendo ao poema QUANDO EU FOR REI - Violeta Paiva

No meu reinado, quero que mesmo com a chegada da maturidade me seja dado o direito de sentir e agir com criança de colo e com a impulsividade do adolescente...

Quero também que a distancia entre as pessoas possa ser percoriida com a rapidez dos nossos pensamentos...distancia é algo que me incomoda muito..não só a distancia fisica mais a distancia de almas.

(continua depois)
Via láctea (Olavo Bilac)

Ora (direis) ouvir estrelas!
CertoPerdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto, Cintila.
E ao vir do Sol, saudoso e em prantoInda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado- amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Mario Quintana

AMOR É SÍNTESE

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...

Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana


Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,
aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real,
exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Mário Quintana

Oswaldo Montenegro

METADE

Que a força do medo que tenho,
Não me impeça de ver o que eu sei,
Que a morte de tudo que acredito,
Não me tape os ouvidos e a boca,
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silencio,
Que a musica que eu ouço ao longe,
Seja linda ainda que triste,
Que a mulher que eu amo,
Seja pra sempre amada mesmo que distante,
Porque metade de mim é partida,
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo, não sejam ouvidas como prece,
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas,
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
Mas a outra metade é o que calo,
Que essa minha vontade de ir embora,
Se transforme na calma e na paz que eu mereço,
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada,
Porque metade de mim é o que penso,
Mas a outra metade é um vulcão,
Que o medo da solidão se afaste,
E o convívio comigo mesmo,
Se torne ao menos suportável,
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso de infância,
Pq metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei,
Que não seja preciso mais que uma alegria
Pra aquietar o espírito,
E que o teu silencio me fale cada vez mais,
Porque metade de mim é abrigo,
Mas a outra metade é cansaço,
Que a arte me aponte uma resposta,
Mesmo que ela não saiba,
E que ninguém tente complicar,
Porque é preciso simplificar,
Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção,
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
E a outra metade também.

Poema de autoria não confirmada, declamado por Oswaldo Montenegro

Poesias da Elizete / Bella - Itapira/SP

Mulher
Sou uma mulher que anda de salto alto...E uma menina que brinca no balanço...Sou uma mulher que luta...E uma menina que chora...Sou uma mulher cheia de desejos...E um menina cheia de sonhos...Sou uma mulher que briga...E uma menina que perdoa...Sou uma mulher que faz regime...E uma menina que se “entope”de sorvetes e chocolates...Sou uma mulher que grita...E uma menina que ouve...Sou uma mulher que fica triste...E uma menina que da risada...Sou uma mulher que tem grandes irmãos...E uma menina cheia de “coleguinhas”...Sou uma mulher que acredita em DEUS...E uma menina que confia no“Papai do céu"...Sou uma mulher que "encanta"...E uma menina que aplaude...Sou uma mulher que sobrevivelonge da família...E uma menina que chora desaudades...(D. A)




JOGO DO AMOR

AMOR QUE JOGO PERIGOSO,
NESSE JOGO EU JA PERDI MUITAS VEZES,
PQ AMEI DEMAIS,
CONFIEI DEMAIS,
ME ENTREGUEI DE CORPO ALMA,
MINHAS NOITES DEMORAM A PASSAR,
ESTOU SÓ,
MEU CORAÇÃO JA NÃO BATE COM A MESMA INTENSIDADE DE ANTES,
TUDO ESTA MUITO CONFUSO,
A NOITE ESTA ESCURA,
O SILENCIO É TOTAL,
POSSO OUVIR MEU POBRE CORAÇÃO
BATER DESCOMPASSADO,
JA É MADRUGADA, A LUA VAGA PELO CEU,
E AINDA ESTOU SÓ,
MINHA ALMA CHORA,MEU CORAÇÃO
PARECE QUE DOI,
QUERO UMA EXPLICAÇÃO PARA O MEU
POBRE CORAÇÃO, QUE QUER AMAR
E SER AMADO
PERDENDO OU GANHANDO,
VOU CONTINUAR JOAGANDO
PREFIRO MORRER DE DOR, DO QUE VIVER SEM AMOR..

(M.D.P.)




Não sou Poema

Não sou lágrima...
Mas já molhei muitos rostos
Não sou o sorriso...Mas ofertei muitas gargalhadas.
Não sou à noite...Mas já brindei com muitas estrelas.
Não sou a brisa...Mas já encantei muitas auroras.
Não sou o não...Mas já dissimulei o perdão.
Não sou o verdugo...Mas já fui à mão que abate.

Eu sou a brisa sem rumo...
A folha que se desvencilhou do galho.
O perfume que se perdeu no vazio.
A flor que morreu sem ser botão.
Sou o pensamento que vaga,
Buscando numa eternidade abstrata...
O descanso da alma perdida.
A lágrima que jamais será um pranto.
Busco-te sem fronteiras...
Não importa o tempo...
Quando sorrir o universo,
Tu serás a luz, o meu poema







PALAVRAS CREMADAS !!!

Meus versos de amoreu cremei
Palavras de amor,sonhos e desejos
incinerei um à umaté nada mais restar.
Cremei a vida que eu tinhas lembranças vividas,
o pranto sofrido,a saudade doída,o riso de alegria,a lágrima disfarçada.

Incinerei as palavrasde minha boca saída
que um dia tão somente
Queimei doces lembrançasdo abraço apertado,
do perfume suave,do jeito de amar,

Me livrei de tantos sonhos,cinzas foi o que restou
Mas ai de mim foi enganopois a saudade ficou.
Incinerei minha vida, mas minha alma ficou
e me mostrarà todo instante, que mesmo espalhadas
no ar as cinzas me trazem infinitas
do amor q um dia eu vivi...

(A.Cecilia)



Mulheres
Nós Mulheres Somos Foda!!
Não broxamos. Não ficamos carecas.
Temos um dia internacional.
Podemos sentar de pernas cruzadas, porque não dói.
Podemos usar tanto rosa quanto azul.
Temos prioridades em boates ou em qualquer outro lugar...
A idade não atrapalha no nosso desempenho sexual.
Se somos traídas somos vítimas, se traímos eles são cornos.
Sempre sabemos que o filho é nosso.
Não pagamos a conta, no máximo rachamos.
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas.

Mulher de embaixador é embaixatriz, homem de embaixatriz não é nada.
Nós saímos pra curtir e não pra pegar, isso é só uma conseqüência.
E por último: fazemos TUDO que um homem pode fazer
só que com um detalhe:De Salto Alto!'''



Mulher
Sou fera, sou bela, sou mulher.
Vou a luta, vou em busca do melhor.
Nesse mundo absurdo, ninguém quer.
Ser um fraco, ser um burro, ser o pior.

Sou uma dama da nobre sedução.
Sou menina, sou ingênua, sou gatinha.
Tenho cérebro, tenho coração.
E, acima de tudo eu sou rainha.

Nesse mundo, sou mulher, sou mulher.
Quando todos os sonhos desapareceram.
Onde só reina o ódio, ambição e o sofrer.
Onde os valores morais já se perderam.
Mais, sou de fibra, sou de ferro, sou de aço.
Passo por cima de tudo na maior.
Prendo, arrebato e dou um laço.
Pois, pretendo ser a melhor.

Prendo o pouco do amor que restou.
Arrebato todas as futilidades.
Laço a esperança, que mudou,
Todas as minhas contrariedades.
Sou sexo frágil, mais sou mulher.
Carrego em meu ser a sobriedade.
Pretendo não me esquecer.
De mudar essa sociedade.


DECIFRA-ME

Não venha me falar de razão, Não me cobre lógica, Não me peça coerência, Eu sou pura emoção. Tenho razões e motivações próprias, Sou movido por paixão, Essa é minha religião e minha ciência. Não meça meus sentimentos, Nem tente compará-los a nada, Deles sei eu, Eu e meus fantasmas, Eu e meus medos, Eu e minha alma. Sua incerteza me fere, Mas não me mata. Suas dúvidas me açoitam, Mas não deixam cicatrizes. Não me fale de nuvens, Eu sou Sol e Lua, Não conte as poças, Eu sou mar, Profundo, intenso, passional. Não exija prazos e datas, Eu sou eterno e atemporal. Não imponha condições, Eu sou absolutamente incondicional. Não espere explicações, Não as tenho, apenas aconteço, Sem hora, local ou ordem. Vivo em cada molécula, Sou o todo e sou uno, Você não me vê, Mas me sente. Estou tanto na sua solidão, Quanto no meu sorriso. Vive-se por mim, Morre-se por mim, Sobrevive-se sem mim. Eu sou começo e fim, E todo o meio. Sou seu objetivo, Sua razão que a razão Ignora e desconhece. Tenho milhões de definições, Todas certas, Todas imperfeitas, Todas lógicas apenas Em motivações pessoais, Todas corretas, Todas erradas. Sou tudo, Sem mim, tudo é nada. Sou amanhecer, Sou Fênix, Renasço das cinzas, Sei quando tenho que morrer, Sei que sempre irei renascer. Mudo protagonista, Nunca a história. Mudo de cenário, Mas não de roteiro. Sou música, Ecôo, reverbero, sacudo. Sou fogo, Queimo, destruo, incinero. Sou água, Afogo, inundo, invado. Sou tempo, Sem medidas, sem marcações. Sou clima, Proporcional a minha fase. Sou vento, Arrasto, balanço, carrego. Sou furacão, Destruo, devasto, arraso. Mas sou tijolo, Construo, recomeço... Sou cada estação, No seu apogeu e glória. Sou seu problema E sua solução. Sou seu veneno E seu antídoto Sou sua memória E seu esquecimento. Eu sou seu reino, seu altar E seu trono. Sou sua prisão, Sou seu abandono e Sou sua liberdade. Sua luz, Sua escuridão E seu desejo de ambas, Velo seu sono... Poderia continuar me descrevendo Mas já te dei uma idéia do que sou. Muito prazer, tenho vários nomes, Mas aqui, na sua terra, Chamam-me de AMOR.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Editorial para o site da OEGSP Dez./08

QUANTO MENOS, MELHOR.
Vemos muitas entidades, algumas até com larga exposição na mídia, abordando sempre os mesmos temas: pobreza, carências, doenças, tristeza, discriminação, abandono, violência e atrocidades. À frente da TV ou ao receber a ligação de uma das inúmeras campanhas de telemarketing, as pessoas já identificam automaticamente: é uma associação filantrópica. A resposta também já está na ponta da língua: “não, já ajudo outra associação... já fiz uma doação este mês...”
Estão erradas as pessoas que respondem assim a um apelo, por vezes, um ultimo grito de socorro? Não, claro que não. Para falar do péssimo e semear a tristeza e a decepção já temos centenas de noticiários de meia tigela invadindo os lares de todos. Ninguém precisa de mais.
A pergunta que coloco é simples: Pretendemos mudar o mundo desta forma?
Se acreditarmos que massacrando as pessoas com “mais do mesmo”, que chocando-as com casos horrendos, violência sexual contra crianças, famílias famintas e sedentas sem nenhuma possibilidade frente as circunstancias ou ao ambiente no qual estão inseridas, com moradores de rua órfãos dos mais elementares direitos, com idosos sem família, com crianças sem pais, com adultos sem emprego ou educação, com imagens de um país sem governo, com a omissão e o descaso do poder publico que covardemente fecha os olhos aos desvalidos enquanto a corrupção grassa feito erva daninha em seu seio, então estamos muito bem obrigado!! Em todos os momentos vamos falar disso, reclamar de como as coisas estão, inclusive durante o trabalho, na faculdade e nos finais de semana, porque se o mundo ainda não mudou, é só uma questão de tempo... mais alguns dias e viveremos numa sociedade justa e solidária.
O bom senso aponta em direção contrária e é preciso que reconheçamos que a grande maioria das pessoas, bem como das associações beneficientes, trabalha com foco nos efeitos, não nas causas e que isso não é prerrogativa destes, é o modus operandi de quase todos os organismos e governos. Imaginem se, após um esforço concentrado, se chegasse a erradicar a pobreza, as epidemias e as violações aos direitos humanos em não mais do que trinta anos. Era o mesmo que dar adeus às verbas, aos empregos pendurados na conta social e à superestrutura dos órgãos públicos que são generosamente cobertos pelos pobres contribuintes.
Se não pensarmos em como podemos executar nossas ações, de maneira organizada, para à médio prazo ver sumir a carência e o abandono, não chegaremos nunca a lugar algum, seja na nossa casa, na nossa rua, na nossa cidade ou no nosso país. Nós, atores sociais do chamado Terceiro Setor temos que idealizar o dia em que não teremos mais para quem oferecer nossos benefícios, sob pena de engordarmos a massa de servidores do clientelismo, das Centrais e Serviços que fazem projetos para inglês ver bancados pelo governo e em cujas estruturas a sociedade civil não tem poder para intervir nem provocar mudanças; tudo vem de cima, até os defeitos.
Voltando à nossa questão, sabemos por experiência própria que tudo de desagradável e que embrulha o estomago nos apelos sociais, com raríssimas exceções, sintetizam a mais pura verdade do que acontece nos subterrâneos da sociedade, contudo ensejo fazer um convite: Fazer um mundo melhor, tendo ações e falando de como podemos ter essa Terra dos Sonhos, esse mundo ideal e, mais do que isso, de como podemos plantar hoje as árvores que darão seus frutos para as gerações que já estão ai e que trazem em seu lastro inumeráveis outras, que poderão vir sempre com mais condições reais de serem felizes.
Somos milhões de pessoas trabalhando no Terceiro Setor em todo o planeta. Multipliquemos por quatro este numero e englobaremos os milhares de pessoas anônimas que em suas vidas defendem os mesmos valores que nós e tomam iniciativas muito objetivas para melhorar o mundo. Se este contingente assumir publicamente que pretende ser exemplo deste cidadão renovado, não precisaremos de muitas campanhas de conscientização. Vale mais uma ação do que um ponto de vista pois este último irá somar-se a outros milhares e irá perder-se no infinito das idéias.
Assumamos de fato o lugar que é nosso por direito e chamemos para nós a responsabilidade de sermos multiplicadores do mundo ideal onde valores como o mais e o menos serão abolidos dos temas sociais, porque não existe amor pequeno e amor maior, pouca solidariedade ou muita fraternidade. Só assim os valores universais dos homens de boa vontade poderão ser o fiel da balança.
Infelizmente neste final de ano vemos de novo os holofotes voltados para os homens que se arvoram “dirigentes da política e da economia global” que de seus escritórios refrigerados, falando de desenvolvimento sustentável e capitalismo social, reduzem o crédito e o consumo às custas do desemprego, da falência de muitos empresários e do empobrecimento da população, sob o pretexto de refrear a inflação que eles criam artificialmente ou com seus desmandos. Vemos o G8, o G20, os Bric´s e mais uma infinidade de seres sob alguma alcunha alfanumérica, achando que podem resolver problemas com as velhas receitas que nunca funcionaram. Os governos conseguem linhas de crédito, liberam volumosas remessas de dinheiro às instituições financeiras e estas repassam por 20 o que pagarão 2, à economia real, como passamos à ser conhecidos por trabalharmos, plantarmos, comprarmos e comermos. Eles vão dormir em paz, mas aqui embaixo nada disso chega nem provoca qualquer efeito benéfico, muito antes pelo contrário.
Por isso, sem almejar nenhuma autoria pois que este projeto é de todas as pessoas de bom coração, vamos mudar o mundo e mostrar como se faz o que aqueles senhores nem imaginam, e para tanto não precisaremos ter atitudes de desapego extremas como Gandhi, bastam simples atitudes no dia-a-dia. Se ninguém no transito respeita o direito alheio, vamos respeitar, vamos parar na faixa de pedestres independente do que pensam os outros, vamos permitir que aqueles que demonstram estar com mais pressa, nos ultrapassem. Vamos ver uma família à beira da estrada e oferecer ajuda e assim em todas as coisas que envolvem nossas vidas, independente de crenças religiosas. Vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para eliminar as incoerências da vida que levamos em relação a vida que gostaríamos que todos levassem. Vamos entender claramente que quando, mesmo sem desejar, obtemos uma vantagem qualquer sobre os demais, estamos ultrapassando o nosso direito e isso, multiplicado exponencialmente, se transforma no pesadelo de degradação humana que nós mesmos vivemos e sentimos hoje. Aquela abordagem histórica de que nossos netos não terão “um mundo para chamar de seu” já está ha muito ultrapassada: somos nós mesmos que colhemos o mal estar que plantamos o que significa dizer que somos a própria causa deste estado de coisas que nos desagrada tanto. Se atacarmos nossos costumes evitaremos os efeitos e poderemos experimentar do sabor de sermos integralmente realizados. Se os nossos netos, receberem um mundo melhor é sinal que nós e nossos filhos fizemos a lição de casa, mas caberá a eles fazerem a parte deles, ou por tudo à perder, afinal cada um é livre para escolher a vida deseja ter. Essa sempre foi a base das relações sociais.
Deixemos aos políticos de plantão falar das mazelas dos governantes que pretendem substituir e com os quais jantarão uma semana após o pleito pois eles mesmos verão suas platéias minguando e seus argumentos sendo sepultados com os esqueletos do velho mundo, arquétipos formados inclusive pela grande mídia. Até lá que esta última continue emitindo mais sinais digitais de malevolência e deboche frente a tristeza humana, alternando piada, esporte e desprezo, afinal é um direito deles, porem nossos receptores estarão sintonizados no que exalta a realidade tangível, porque esse é o nosso direito. Se os índices de audiência continuarem a ser medidos da forma como são, querendo nos empurrar goela abaixo a mentira que diz que na média somos todos ignorantes e insensíveis, que o façam. Da nossa parte nem tomaremos conhecimento deles.
Todos querem viver melhor, então paremos de resmungar e façamos coisas positivas. É certo que as entidades assistenciais sérias precisam sobreviver com a ajuda de um batalhão de pessoas, mas que sejam dirigidas sob esse enfoque. Estou certo de que nossos asilos se encherão de pessoas sensíveis para ouvir nossos idosos falarem de suas experiências, nossas creches e abrigos se tornarão centros de alegria que a todos contagiaria. À porta de nossas clinicas, hospitais, escolas e mais um sem numero de unidades acorrerão empresas e organismos que desejarão participar desta lufada de ar novo, de luz e solidariedade!
Em pouco tempo, estas ações alcançarão governos e políticos e nós nos prepararemos para ir diminuindo o nosso tamanho, até desaparecermos por completo, afinal de contas a Terra dos Sonhos não precisará de nós pois terá educação, justiça, fraternidade e amor. Será chegada a época em que todas as pessoas, em todos os âmbitos de suas relações, serão conscienciosas, aptas e felizes. Ninguém mais precisará lembrar ou exigir o seu direito, muito menos o direito publico que o precede. A justiça na acepção maior do vernáculo dirigirá a todos e liderará os povos multiplicadores do bom senso.
Precisamos pensar em como ocuparemos nosso tempo quando isso acontecer, ou talvez saibamos já hoje, afinal doamos nosso tempo, dedicação e profissionalismo e não ganhamos nem um centavo por isso pois sempre vimos que a satisfação dos nossos beneficiários é o melhor pagamento.
Alguns dirão que Alice, ou mesmo o gato do país das maravilhas se sairia melhor, outros nos chamarão de inocentes, idealistas, utópicos, Zaratrustas tardios, mas nada disso nos importa, como nunca nos importou, porque como diz o mascote da nossa entidade: “Sempre vale a pena lutar por ideais nobres e verdadeiros. Pode ser sonho para muitos, mas é realidade para nós!!!” e nenhuma mudança significativa jamais ocorreu no mundo sem uma dose extrema de idealismo e coragem. Viva a Terra dos Sonhos !!!

Um abraço fraternal a todos
Alcy Paiva

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Poema que meu pai declamava...

Duas Almas (Alceu Wamosy)

Ó tu, que vens de longe... Oh, tu que vens cansada,
Entra, sob este teto encontrarás abrigo.
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho

Vives sozinha sempre, e nunca foste amada!
A neve anda a branquear lividamente a estrada.
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra. Ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada...

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa.

Já não serei tão só; nem serás tão sozinha!
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha!...
---x---x---

Lindo poema, mas sempre que meu velho declamava estava ligeiramente sob o efeito de uma aguardente daquelas. À certa altura da vida, D.Silvia, minha mae, nao aguentava mais ouvir isso e certo dia, quando ele estava terminando a primeira "estrofe" (... e vivo tao sozinho.) Ela teve uma reaçao inacreditável. Porque nao era coisa que ela fizesse nem combinava com a Amélia que muitas vezes ela encarnava...a reaçao foi, olhando pra porta, onde nao se podia ver ninguem... bradou
"Entra, mas entra logo...entra e vem fazer comida pra ele... vem lavar a roupa dele e vem cuidar dele, porque eu já nao aguento mais !!!". Retirou-se entao e o silencio se fez. O Velho só foi retomar o verso muito tempo depois quando ja havia esquecido do ocorrido e quando lembravamos da reaçao dela ele dava uma boa gargalhada por entre o bigodao de leao marinho e dizia " ...magina.."